sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011


Agonia

Irei pelas ruas até cair morta de cansaço
saberei viver sozinha e reter nos olhos
cada rosto que passa e continuar a ser a mesma.
Esta frescura que sobe e me busca as veias
é um despertar que em manhã nenhuma sentira
tão real: sinto-me simplesmente mais forte
que o meu corpo e um arrepio mais frio acompanha a manhã.
Longe vão as manhãs em que tinha vinte anos.
E amanhã, vinte e um: amanhã sairei para a rua,
lembro-me de cada pedra da rua e das nesgas do céu.
A partir de amanhã as pessoas ver-me-ão outra vez
de pé e caminharei direita e poderei parar
e mirar-me nas montras. Nas manhãs do passado,
era jovem e não sabia, nem sabia sequer
que era eu que passava – uma mulher, dona
de si mesma. A rapariguinha magra que fui
despertou dum pranto que durou anos:
agora é como se esse pranto nunca tivesse existido.
E desejo só cores as cores não choram,
são como um despertar: amanhã as cores
voltarão. cada mulher sairá para a rua,
cada corpo uma cor – e até as crianças.
Este corpo vestido de vermelho claro
após tanta palidez voltará à vida.
Sentirei à minha volta deslizarem os olhares
e saberei que sou eu: olhando à volta,
ver-me-ei no meio da multidão. Em cada nova manhã,
sairei para a rua em busca das cores.
C. PAVESE

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

dropsastrais - Lua em Aquário:
e se...
o start da história
a semente
um plano
...um sonho
o meu, o seu
o mesmo alento linkando cabeças
as ideias revoltas
movendo as folhas na calçada
as páginas dos livros
o aviãozinho de papel na mão da criança
a viagem ao redor da Terra
e o dia nascendo outra vez
e se...
Amanda Costa                                                                                                              

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Pateticamente incorretas
        eu e minhas borboletas,
 alucinadas na espera.....
tão facil se perder na emoção

   E Dificil não se perder na essência
   liquida, etilica, musicada.
tão cativantemente envolvente
        Que só resta flutuar
com minhas bixinhas!


   Ju Nunes

Numa madrugada alada










BORBOLETAS

    Por entre as frestas
          Do meu ventre, esperam.
A hora
           O peso
                      O extase

sábado, 4 de dezembro de 2010